
A morte chegou
abruptamente.
Chegou e derrubou
uma vida, ceifando-a,
quebrou os planos
dela e os meus,
ceifou os meus sonhos
e os dela.
Fez o maior
estrondo e barulho,
destroços de carros,
o fogo queimando-a
sem dó nem piedade...
Deixou-me cega, surda e muda
perante este quadro fiquei atónita...
Escolheu-a, levou-a, calou-a.
Mas o pior barulho foi aquele
que o fogo consumia sem dó
e os gritos arrepiantes
tomaram conta de tudo:
o som do seu silêncio,
a esvair-se, o corpo
a dissipar-se no meio
das cinzas, e a desfazer-se.
O som dilacerante da tua ausência,
a falta da tua chegada triunfante
do sorriso que te inundava o rosto
como se se tratasse de
uma doença contagiosa...
O som da tua falta verte,
e é agora saudade...
Ouço com o coração
despedaçado,
o eco da tua partida.
Das tuas abençoadas
mãos vão caindo jasmins,
e com a tua partida ecoando
choro a falta imensa que fazes
na minha vida.
Sempre me lembrarei
de ti, ouvindo as sonoras
gargalhadas, a felicidade
sempre te visitava.
Presto atenção aos ruídos,
e sempre tenho a impressão
de te ouvir dizer:
Alice, tens que continuar
a lutar para vencer...
eu estou no silêncio...
sou eu que te velo agora...
É nele que vivo e respiro,
agora escuta o silêncio
ele vem como um alerta
não te podes esquecer
eu sobrevivo na força
da força que és capaz
para vencer, por isso
é nela que vivo,
flores de jasmim
lembras?
Perfume de mim,
flor de mim,
exalarei
se continuares
sem desistires,
vais voltar
a andar.
Sempre
me fortaleceste,
a ir mais além
para te ajudar
está na hora
de não deixares
morrer o que juntas
começamos.
Eu viverei na tua vitória,
sobreviverei na tua história.
E eu lutarei para concluir
aquilo que começaste em mim
prometo-te não desistir.
Flor de mim respiras
no meu coração com cheiro
de jasmim!
Alice Barros
Sem comentários:
Enviar um comentário